As taxas de financiamento imobiliário oferecidas por bancos privados voltaram a subir no fim de outubro de 2026, após pequenas reduções registradas entre o final de 2025 e o início deste ano. Bradesco, Itaú e Santander anunciaram reajustes nos juros cobrados para quem pretende financiar a compra de um imóvel.
No Bradesco, a taxa mínima passou de 11,69% para 13,60% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR), atualmente em 1,96% ao ano. No Itaú, o percentual mínimo subiu de 11,99% para 12,95% ao ano, mais TR, com a nova condição válida desde quinta-feira (29).
Já o Santander informou que os juros de suas operações serão reajustados a partir desta sexta-feira (30). Com a mudança, as taxas começam em 12,49% ao ano, mais TR.
Os percentuais anunciados são taxas iniciais. O custo efetivo do financiamento pode variar conforme o perfil do cliente e o relacionamento mantido com cada instituição financeira.
Por que os bancos estão aumentando os juros?
A elevação das taxas de financiamento ocorre em meio à alta dos juros futuros, que tem pressionado o custo de captação das instituições financeiras. O movimento foi associado à expectativa de uma política de gastos públicos mais expansionista no governo Lula.
Na segunda-feira (26), após o resultado das eleições do último domingo (25), os juros dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) chegaram a subir mais de 2 pontos percentuais. Segundo levantamento da consultoria Warren, a reação do mercado foi a mais negativa dos últimos dez anos.
Como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, as oscilações nos juros influenciam o custo das operações. Em comunicado, o Itaú afirmou que o reajuste considera as condições atuais de captação e busca preservar a sustentabilidade dos financiamentos.
O Bradesco também relacionou a atualização das taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário ao aumento dos juros de mercado. O banco destacou que as condições finais são definidas após análise individualizada, considerando o perfil do cliente e as características de cada operação.
Bradesco, Itaú e Santander concentram parte relevante do crédito imobiliário
Os três bancos estão entre os principais responsáveis pela concessão de crédito imobiliário com recursos da poupança, modalidade conhecida como Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
De janeiro a setembro de 2026, Bradesco, Itaú e Santander movimentaram juntos quase R$ 74 bilhões nessa modalidade, de um total de R$ 146,1 bilhões no período, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A Caixa Econômica Federal liderou as concessões, com R$ 68,8 bilhões em financiamentos para aquisição e construção de imóveis nos nove primeiros meses do ano. De acordo com dados divulgados pelo próprio banco, a instituição responde por cerca de 70% do mercado de financiamento habitacional do país.
A atuação da Caixa inclui linhas com recursos direcionados e programas habitacionais, especialmente o Minha Casa, Minha Vida. Procurada sobre a possibilidade de reajustar suas taxas, a instituição não informou se pretende fazer mudanças. O banco está em período de silêncio por causa da divulgação de seu balanço, prevista para daqui a cerca de duas semanas.
Dados do Banco Central mostram que, em setembro, os juros médios praticados pela Caixa no financiamento imobiliário com recursos do SBPE foram de 12,05% ao ano, mais TR.
Selic não determina automaticamente o custo do financiamento
A alta dos juros imobiliários ocorre em um cenário de custo elevado do dinheiro. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, mas as condições dos financiamentos não acompanham necessariamente as alterações da taxa básica na mesma velocidade.
Quando a Selic aumenta, os juros cobrados dos compradores podem demorar a subir. Da mesma forma, uma redução da taxa básica não significa que o financiamento imobiliário ficará mais barato imediatamente.
Na definição das condições de crédito, os bancos também consideram o custo e a disponibilidade de recursos para empréstimos, a remuneração da poupança, as condições do mercado financeiro, o risco das operações e a estratégia comercial de cada instituição.
No Boletim Focus divulgado na segunda-feira (26), cujo levantamento foi encerrado antes do segundo turno, os economistas projetavam a Selic em 12% ao ano no fim de 2027. Em relatório destinado a investidores, analistas do BTG Pactual avaliaram que o caminho dos juros dependerá, entre outros fatores, da condução da política fiscal pelo novo governo. Para os analistas, a projeção do Focus pode ser excessivamente otimista.
Saques da poupança também pressionam o crédito imobiliário
A redução dos recursos depositados na poupança é outro fator que afeta a oferta de financiamento imobiliário. Como essa aplicação é uma das fontes tradicionais de recursos para a modalidade, a saída de dinheiro pode levar os bancos a buscar alternativas de captação com custos mais elevados.
Em setembro, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 6,2 bilhões, segundo a Abecip. Entre janeiro e setembro de 2026, a retirada líquida chegou a R$ 53,2 bilhões. No mesmo intervalo de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 60,1 bilhões.
Durante o Conecta Imobi 2026, evento do Grupo OLX realizado no dia 21 de outubro, representantes do Bradesco e do Itaú destacaram a importância do financiamento imobiliário para o relacionamento de longo prazo com os clientes.
Tiago Spessoto, superintendente executivo do Bradesco, e Rafael Ursaia, superintendente do Itaú, ressaltaram que a oferta de crédito habitacional também pode abrir oportunidades para a contratação de outros produtos e serviços, como seguros, cartões, investimentos e crédito pessoal.
Spessoto afirmou que o cenário de juros elevados e de redução dos recursos da poupança torna a concessão de financiamentos mais cara.
Aumento das taxas pode restringir acesso à casa própria
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) avalia que o encarecimento do crédito pode dificultar o acesso das famílias à moradia.
De acordo com um estudo da entidade, cada aumento de 1 ponto percentual na taxa de financiamento pode deixar cerca de 1,3 milhão de famílias fora do mercado imobiliário.
A associação afirma que juros mais altos reduzem o poder de compra dos consumidores e tornam mais difícil a aquisição da casa própria. A entidade defende medidas de equilíbrio das contas públicas e controle dos gastos que contribuam para uma trajetória sustentável de queda da Selic nos próximos anos.
Na avaliação da Abrainc, a redução dos juros básicos também poderia diminuir o custo dos financiamentos imobiliários, inclusive por sua influência sobre a remuneração das Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), instrumento utilizado para captar recursos destinados ao setor.
Com informações Folha de S. Paulo
Fonte: Portal Contábeis.



