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Economia

Selic a 13,75%: queda sustentável exige ajuste fiscal

06 de novembro de 2026 4 min de leitura Economia
Selic a 13,75%: queda sustentável exige ajuste fiscal

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), pela manutenção da taxa Selic em 13,75%. A decisão era esperada pelo mercado, sobretudo após a divulgação do último Boletim Focus, que mostrou a aposta majoritária dos analistas a apontar para a preservação do patamar atual da taxa básica de juros.  

Para Charles Mendlowicz, economista formado pela UERJ, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, a manutenção da Selic em 13,75% representa, neste momento, "um dique de contenção contra a desancoragem inflacionária e a volatilidade cambial, enquanto a pauta fiscal permanece como o grande divisor de águas para o futuro dos investimentos no Brasil".

"Juro é a consequência da condução da pauta econômica"

Charles Mendlowicz traz uma reflexão sobre as propostas que circulam nos bastidores para tentar forçar uma queda abrupta dos juros por decreto ou vontade política - a exemplo da tese do economista André Lara Resende de induzir uma queda brusca na taxa Selic. 

Para Mendlowicz, embora o patamar elevado da Selic represente um fardo pesado para a atividade econômica – travando o consumo, o crédito e o financiamento de bens de consumo de maior valor, como automóveis e moradias –, a taxa de juros não pode ser analisada de forma isolada do restante da engrenagem macroeconômica. "Não estou defendendo o juro alto, mas fazer um corte drástico como mecanismo para reduzir o juro da dívida não é recomendado, embora seja uma solução que pareça ser simples. O juro é a consequência da condução da pauta econômica, ele não é só a causa", argumenta.

O economista reforça que o endividamento público brasileiro é documentado e gerido e fiscalizado pelo Tesouro Nacional. "O Tesouro Nacional é responsável pela gestão da dívida, os dados são públicos e disponibilizados mensalmente via relatório. O mercado financeiro acompanha esses relatórios ‘na lupa’, com rigor extremo", aponta Mendlowicz.

Charles explica que tentar atropelar esse processo reduzindo a taxa de juros artificialmente sem o respaldo de um ajuste fiscal encontra barreiras na dinâmica global de capitais. Com os juros nos Estados Unidos em patamares elevados (atualmente na faixa de 3,75% a 4,0%), uma queda forçada da Selic eliminaria o diferencial de rentabilidade que atrai investidores estrangeiros para o Brasil.

Além das pressões monetárias americanas, o economista lembra que o cenário internacional segue tensionado por fatores geopolíticos. "A guerra na Ucrânia ainda é algo que pesa muito para os Estados Unidos e também reverbera no Brasil", pondera Mendlowicz, lembrando que choques externos impactam diretamente as cadeias globais e o mercado de energia. "O governo brasileiro está segurando os preços e subsidiando os combustíveis, mas até quando essa conta se sustenta?", questiona.

Queda sustentável de juros exige responsabilidade fiscal

Charles Mendlowicz ressalta que, em um cenário de corte drástico, a tendência é de fuga de capital: "Esse movimento pode gerar uma forte pressão sobre a taxa de câmbio. O dólar atua como a principal variável de ajuste, e a queima de reservas internacionais para conter a fuga de capital seria insuficiente para conter esse cenário".

Em contrapartida, o economista aponta que o caminho para a queda sustentável dos juros exige responsabilidade fiscal, citando como precedente histórico o período compreendido entre 2016 e 2019. "Quando o Temer fez isso entre 2016 e 2019, o Ilan Goldfajn, na época presidente do Banco Central do Brasil, conseguiu reduzir a taxa Selic até 6,5%", relembra, evidenciando que a convergência de uma política de controle de gastos com a credibilidade institucional é o único roteiro seguro para derrubar a Selic de maneira estrutural.

Impacto nos investimentos e os perigos para a renda fixa

Enquanto o mercado aguarda os desdobramentos da política econômica nos próximos anos, os investidores precisam redobrar a cautela na alocação de recursos. Caso o país enverede por caminhos de flexibilização monetária artificial, as consequências sobre os ativos de renda fixa podem pegar muitos investidores desprevenidos.

Mendlowicz alerta que, em um cenário onde o governo tente forçar a queda dos juros a patamares incompatíveis com a realidade inflacionária, a inflação tende a reagir violentamente. “O movimento de queda abrupta da Selic leva à alta da inflação e corrói o rendimento de diversas classes de ativos atrelados à renda fixa. Títulos pré-fixados adquiridos com taxas nominais que pareciam atraentes tornam-se armadilhas de rentabilidade real baixa ou negativa se a inflação disparar descontroladamente”, adverte o economista.

Além disso, o sócio da Ticker Wealth chama a atenção para os riscos ocultos da marcação a mercado em títulos públicos de longo prazo indexados à inflação. “Para os investidores que optam por prazos longos, a volatilidade gerada por choques fiscais ou cortes forçados de juros pode resultar em perdas caso o resgate precise ser feito antes do vencimento. A dinâmica da marcação a mercado penaliza os papéis quando as taxas secundárias disparam, assustando investidores que acreditavam estar totalmente protegidos na renda fixa tradicional”, conclui Mendlowicz.

Fonte: Publish Ideas



Fonte: Portal Contábeis.

Fonte consultada: Portal Contábeis

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