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Engajamento no trabalho: como observar a equipe contábil

03 de novembro de 2026 3 min de leitura Carreira
Engajamento no trabalho: como observar a equipe contábil

Apenas 20% dos trabalhadores no mundo estavam engajados no trabalho em 2025, segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup. O índice ficou abaixo dos 21% registrados em 2024 e dos 23% de 2023. A edição foi publicada em abril de 2026, com dados coletados no ano anterior.

O levantamento é global e não representa um diagnóstico específico dos profissionais contábeis brasileiros. Ainda assim, oferece um ponto de partida para discutir como as organizações acompanham a experiência de suas equipes, além dos indicadores de entrega.

Nos escritórios contábeis, essa discussão pode ser traduzida em uma questão prática: os profissionais conseguem apresentar dúvidas, pendências e dificuldades antes que elas comprometam o trabalho?

Entrega e participação são dimensões diferentes

O cumprimento de uma tarefa não revela, sozinho, como o profissional percebe o ambiente. Para compreender a participação da equipe, a liderança precisa observar também a circulação de informações, a clareza das responsabilidades e o tratamento dado aos problemas.

Uma situação ilustrativa ajuda a explicar essa diferença. Um analista identifica uma inconsistência em documentos recebidos de um cliente, mas hesita em comunicar porque, em uma ocasião anterior, sua dúvida foi tratada como falta de preparo.

Isso não permite concluir que o silêncio seja a causa de um erro posterior. Mostra, porém, uma condição que merece investigação: o custo percebido de pedir ajuda pode interferir na decisão de compartilhar uma informação.

Pesquisa relaciona segurança psicológica e aprendizagem

Em estudo publicado em 1999 no periódico Administrative Science Quarterly, Amy Edmondson analisou 51 equipes de uma empresa industrial e encontrou associação entre segurança psicológica e comportamentos de aprendizagem.

O estudo não foi realizado em escritórios contábeis. Sua contribuição para esta análise está na possibilidade de examinar como o ambiente favorece perguntas, discussão sobre erros e manifestação de preocupações, sem presumir que seus resultados descrevam diretamente o setor contábil.

Na rotina de uma equipe, isso envolve receber uma dúvida com atenção, verificar os fatos e estabelecer um encaminhamento. A responsabilidade técnica permanece: informações precisam ser conferidas, procedimentos devem ser cumpridos e decisões precisam respeitar as atribuições de cada profissional.

Quatro pontos para a liderança observar

Clareza das prioridades. Quando diferentes demandas chegam ao mesmo tempo, a equipe precisa saber quais critérios orientam a sequência do trabalho. Pedir urgência para tudo dificulta a identificação do que exige atenção primeiro.

Comunicação das pendências. Documentos ausentes, informações divergentes e solicitações sem retorno precisam ter registro, um responsável e acompanhamento. Conversas dispersas podem dificultar a identificação do que ainda depende de ação.

Resposta aos alertas. Ao receber uma preocupação, o líder deve buscar compreender o problema antes de avaliar a pessoa. Perguntar o que foi identificado e quais etapas podem ser afetadas ajuda a organizar a análise.

Critérios de reconhecimento. A avaliação do trabalho pode considerar, além do volume entregue, qualidade, compartilhamento de conhecimento e cooperação entre áreas. Os critérios precisam ser claros e compatíveis com as responsabilidades de cada função.

Cultura também se expressa no encaminhamento dos problemas

No livro Conectando Pessoas com as Organizações, Edson De Paula discute como recompensas e reações da liderança ajudam a orientar a participação das pessoas no trabalho.

Aplicada ao cotidiano contábil, essa reflexão convida os gestores a observar o que acontece depois de um alerta. A contribuição recebe análise? Existe retorno? A dificuldade é encaminhada a quem tem condições de decidir?

O espaço para conversar precisa ser acompanhado de organização do trabalho. Quando o problema envolve capacidade da equipe, recursos ou processos, apenas incentivar as pessoas a falar não resolve a condição identificada.

Acompanhar essas questões permite discutir engajamento com base na experiência concreta dos profissionais, sem transformar um indicador global em explicação automática para a realidade de cada escritório.

Sobre o autor

Edson De Paula é doutor e mestre em Psicologia pela PUC-Campinas, especialista em Psicologia da Saúde Ocupacional pela USP, escritor e palestrante. Atua há mais de 30 anos com comportamento humano no trabalho, com foco em liderança, cultura organizacional e comunicação.

Fonte: De Paula, Edson. Conectando Pessoas com as Organizações.



Fonte: Portal Contábeis.

Fonte consultada: Portal Contábeis

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