A aprovação do fim da escala 6x1 pode elevar em até 30% a demanda por galpões logísticos no Brasil. A projeção é da Sort Investimentos, empresa catarinense de gestão de ativos imobiliários que administra mais de R$ 3 bilhões nesse segmento. A companhia avalia que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais poderá acelerar a migração de investimentos do varejo físico para o comércio eletrônico.
A mudança tende a pressionar os custos de estabelecimentos que precisam manter equipes durante longos períodos, inclusive aos finais de semana. Para preservar o funcionamento das lojas, empresas poderão precisar reorganizar turnos ou ampliar equipes. Nesse cenário, parte dos investimentos pode ser direcionada à estrutura digital e logística.
Segundo Renato Monteiro, fundador da Sort Investimentos, a transformação não significa necessariamente o fechamento de lojas físicas. A expectativa é que varejistas que já atuam nos canais presencial e digital ampliem as estruturas de comércio eletrônico e distribuição.
O modelo permite concentrar estoques, automatizar processos e atender consumidores de diferentes regiões a partir de um mesmo centro de distribuição. Com isso, a mudança na jornada pode impulsionar a procura por imóveis destinados à armazenagem e à movimentação de mercadorias.
Mercado de galpões já opera com baixa vacância
A possível alta na procura ocorre em um momento de ocupação elevada no mercado imobiliário logístico. Levantamento da consultoria CBRE citado pela Veja aponta que a taxa de vacância dos galpões em São Paulo caiu para 4% no terceiro trimestre de 2026.
Nos primeiros nove meses do ano, foram locados 3 milhões de metros quadrados, recorde para o período. O comércio eletrônico respondeu por mais da metade das locações, enquanto os valores pedidos para aluguel de imóveis de alto padrão subiram 8% em relação a 2025.
A Sort administra um portfólio com mais de 553 mil metros quadrados de galpões logísticos. Para a empresa, a combinação entre mudanças na jornada de trabalho e crescimento do comércio eletrônico pode intensificar a disputa por espaços de armazenagem e distribuição.
Projeção depende da adaptação das empresas
A estimativa de crescimento de até 30% é uma projeção da Sort Investimentos, não um resultado já observado no mercado nem uma previsão consolidada para todo o setor imobiliário.
O impacto dependerá da forma como os varejistas reorganizarão suas operações, da evolução das vendas digitais e da necessidade de ampliar a capacidade logística. Empresas que atuam em diferentes canais poderão redistribuir recursos para estruturas centralizadas de estoque e distribuição.
A mudança na jornada também exigirá planejamento das empresas que dependem de atendimento presencial e funcionamento contínuo. A necessidade de manter horários de operação poderá levar à revisão de escalas, contratação de trabalhadores e adoção de tecnologias para melhorar a produtividade.
Com a redução da jornada, o mercado imobiliário acompanha se a reorganização do varejo terá reflexos efetivos na ocupação de galpões e na procura por novos centros de distribuição.
Com informações da Folha de S. Paulo
Fonte: Portal Contábeis.



